sexta-feira, 10 de abril de 2015

Evento Livros em Pauta 2015


O Evento Livros em Pauta foi criado pelo escritor Edson Rossatto com o intuito de promover o encontro de profissionais do livro com leitores e escritores amadores, por intermédio de atividades gratuitas, como palestras, sessões de autógrafos e lançamentos de livros.
Na edição de 2015, além das palestras e mesas-redondas (todas possuem certificado) haverá uma feira de produtos voltados ao público nerd, sorteios de brindes e várias salas reservadas para jogar RPG.
Vou a este evento todos os anos e posso afirmar que as palestras são muito bacanas e nos permitem conhecer um pouco mais do universo editorial, além de fornecerem informações e contatos preciosos para aqueles que iniciam na carreira literária. Além disso, é uma oportunidade de passar uma tarde divertida e relaxante ao lado de pessoas inteligentes e interessantes. Eu recomendo!  

Alguns destaques da programação:

11:00 às 12:30

13:00 às 14:30

15:00 às 17:00

17:30 as 19:00

O quê: Evento Livros em Pauta
Quando: 30/05/15, das 10 às 20h
Onde: Rua Major Maragliano, 191, Metrô Ana Rosa, São Paulo. (FAPCOM)



domingo, 29 de março de 2015

Resenha: Este livro comeu o meu cão!


Título: Este livro comeu o meu cão!
Autor: Richard Byrne
Editora: Panda Books


Este livro é indicado para quem:

- Gosta de livros interativos;
- Gosta de histórias malucas;
- Gosta de livros infantis.

Resumo:

Bella precisa de nossa ajuda para mostrarmos a este livro "quem manda". Assim quem sabe este livro deixa de ser tão atrevido e comer o que não deve?

Resenha:

Este livro é indicado para todas as turmas da Educação Infantil e 1º ano devido as características que descreverei abaixo. 
O tipo de letra (letra bastão ou caixa alta) favorece os leitores que estão em processo de alfabetização pela facilidade de decodificação do texto que, além isso, é bastante enxuto. As ilustrações são vivas, marcadas e se integram totalmente ao texto, pois o autor também é o ilustrador. Gostei dos traços dele, pois são limpos e econômicos!
A história começa quando Bella resolve levar seu cachorro - Bolota - para passear. Detalhe que a Bella leva seu cachorro para passear pela "página" e não pela rua...rs. De repente, o cachorro de Bella desaparece, ou seja, é claramente engolido pela dobra do livro. Começa então um desfile de personagens que tentam ajudar Bella a resgatar Bolota. Todas tentativas são em vão, atá que o leitor é convidado a ajudá-la. Esta característica interativa do livro que me fascinou, pois mostra que um livro não precisa ser cheio de luzinhas e sons para fazer com que o leitor se sinta participante de sua própria leitura. 

Pg. 3,4 e 5

"Bella estava passeando com o seu cão pela página quando algo muito esquisito aconteceu..."

sexta-feira, 13 de março de 2015

Bibliotecando: Dia do Bibliotecário e Incentivo à leitura, por Sérgio Vaz.


Ontem foi dia do bibliotecário e, como todos os anos, pipocaram nas redes mensagens de parabéns e valorização do profissional, principalmente entre os colegas da própria categoria. Mais um ano que eu passei a comemorar este dia e mais um ano que eu observo que o discurso continua o mesmo. Aliás, eu poderia falar que nada mudou desde 2008, quando iniciei na profissão, mas estaria mentindo, pois, quando eu ainda era estagiária ou auxiliar havia ofertas de emprego em profusão. Parece que toda empresa descobria que precisava de um estudante de biblioteconomia, ainda que algumas nem conseguissem pronunciar o nome do curso. Infelizmente, para os formados as empresas não conseguem encontrar função.
Acompanho as discussões na área e sei que a quantidade de pessoas procurando uma colocação profissional ou uma melhora de cargo é enorme. Muitos, para não ficarem desempregados, recorrem a rebaixar cargos e salários. Ter altivez ou orgulho nessa hora é luxo para poucos. Reflexo da economia atual? Pode ser. Mas a certeza é que os primeiros cargos a serem cortados nas empresas são os considerados supérfluos e me entristece imaginar que alguém considere um profissional ligado a Cultura e a Informação como uma “gordurinha a ser cortada”, como eu já ouvi um gestor falar.
Em meio a tanto desalento, fui comemorar o Dia do Bibliotecário com o CRB8, no Teatro FECAP. Eu já sabia que iríamos ouvir o Sérgio Vaz, então me preparei com antecedência para a pancada. Mas é impossível não se impactar e, no meu caso, não se emocionar com a forma como o Sérgio lida com o Incentivo à leitura. Ele ficava lá no palco, entre gírias e palavrões, contando das suas práticas e de como tudo aconteceu tão naturalmente e eu ficava pensando: “É isso!”.  Entre tantas histórias, o que mais marcou foi a ideia de tirar a literatura do pedestal e aproximar dos leitores. “No sarau, a comunidade achava que estava em uma festa, mas estava fazendo literatura sem saber”, disse ele.
Sem demagogia. Sem se colocar na posição de “Ajudador” que oprime o “Ajudado”. Sem sacralizar o livro ou a leitura. Poxa, a Cooperifa ocorre em um bar... Quer coisa mais autenticamente brasileira do que isso? Como Sérgio nos informou “Nossa estratégia é a mesma dos traficantes: damos a primeira dose, depois o viciado vem atrás de mais.”. Essa frase me remeteu também ao “traficante de livros”, de Recife, que montou uma biblioteca comunitária onde antes era uma das “bocas do tráfico”. Cansado de receber batidas da polícia no local, ele se autodenominou como “traficante de livros” e escreveu em letras garrafais na entrada de sua biblioteca uma frase de Oscar Wilde: “Todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas.”. Eu diria que tanto o traficante de livros da biblioteca comunitária de Recife quanto o poeta Sérgio Vaz, fundador da Cooperifa, são bibliotecários por intuição e que tem muito a ensinar aos bibliotecários de formação. Resta a nós, bibliotecários, termos a humildade de enxergar nestes esforços uma oportunidade de aprendizado. 

"A leitura liberta e os bibliotecários emprestam as asas." (Sérgio Vaz)

Eu não escolhi ser bibliotecária aleatoriamente. Não foi algo que surgiu do nada na minha cabeça ou na minha vida. Não foi algo que alguém disse que era legal. Não foi o primeiro emprego que eu encontrei ou a primeira página que eu saquei do Guia de Profissões. A Biblioteconomia surgiu naturalmente, como uma resposta a tudo que eu sempre acreditei e que nunca conseguia exprimir. Desistir da minha área não é uma opção, não por teimosia ou orgulho, mas porque eu teria que desistir do que eu acredito e de quem eu sou.
Se eu acredito no poder da leitura?


Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada, 
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

                                         (Mário Quintana)

Francisco Aguiar (Vice-presidente CRB8), Wandi Doratiotto e Carli Cordeiro (Presidente CRB8)


Sérgio Vaz, Francisco Aguiar (Vice-presidente CRB8) e Carli Cordeiro (Presidente CRB8)



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Bibliotecando: Cursos de Contação de Histórias em São Paulo


Sou bibliotecária e tenho uma forte inclinação a me aventurar em todos os métodos de incentivo à leitura possíveis. Desde que iniciei a faculdade, em 2008, sempre ouvi os profissionais da área mencionarem a Contação de Histórias como um dos principais métodos para esta finalidade. Então, o que aconteceu? Lá se foi a Cíntia se meter a fazer todos os cursos e oficinas que via pela frente...rs! 
Anos depois, não posso afirmar que sou uma "contadora de histórias profissional", mas, sei o suficiente para cumprir com o meu papel de incentivadora à leitura e me aventurar como contadora nas instituições em que atuei. 
Por conta destas minhas aventuras, volta e meia algum colega de profissão me pede dicas do que fazer e onde fazer. Nos cursos que menciono abaixo, acrescentei alguns comentários àqueles que eu já fiz de fato ou conheço o suficiente para indicar. Os outros, apesar de eu não ter feito, confio na instituição mencionada ou conheço pessoas que já fizeram e gostaram muito. 
O tipo de curso e a duração dependem muito do objetivo do profissional: 
Você quer ser um contador de histórias profissional? Os cursos livres ou de formação são os ideais. 
Você já tem noção ou já atuou com contação de histórias e gostou muito? Os cursos de especialização e extensão são uma boa opção. 
Você não tem noção nenhuma de como se faz e quer saber se esta é mesmo a sua praia? Faça algumas oficinas experimentais, sem compromisso. Se gostar, faça em seguida os de formação, pois somente as oficinas não preparam ninguém, apenas aprimoram outros conhecimentos adquiridos ou despertam um contador de histórias adormecido. 

Curso: Variados
Instituição: Paula Knoll
Tipo: Oficinas
Duração: variada
Eu já fiz duas oficinas com a Paula Knoll: Contação de histórias com tecidos e Contação de histórias com objetos. Ambas trouxeram muitas contribuições às atividades que eu já vinha desenvolvendo, não só por serem oficinas especializadas e com temas interessantes, mas também pela própria Paula, que além de ser uma profissional experiente, sabe passar muito bem o conteúdo. Geralmente as oficinas dela são oferecidas por meio de parcerias com editoras. Cabe aos interessados seguirem a Paula Knoll nas Redes Sociais para se manterem atualizados quanto aos cursos e oficinas. Mais informações


Curso: Variados 
Instituição: Viva e deixe viver
Tipo: Curso de formação e oficinas
Duração: variada
A Associação Viva e Deixe Viver - ou, para os íntimos, Viva - treina e capacita voluntários para se tornarem contadores de histórias em hospitais para crianças e adolescentes internados. Os recursos utilizados são a leitura de obras infantis e também as brincadeiras. O Centro de Contação de Histórias da Associação Viva e Deixe Viver, além de ofertar capacitação para os voluntários de sua associação, também oferece oficinas para interessados. Mais informações

Curso: Ouvidores e Contadores de Histórias
Instituição: Instituto História Viva
Tipo: Curso de formação
Duração: Cerca de 20 horas
Este curso é voltado para as pessoas que pretendem participar como voluntários do Instituto História Viva. O projeto é muito interessante, porque não é somente a Contação de Histórias pura e simplesmente. Funciona assim: Os chamados "ouvidores" visitam asilos recolhendo histórias entre os idosos. Após essa etapa, os "encantadores" transformam as histórias recolhidas nos asilos em "contos encantados", digamos assim. Com a história absorvida, os "contadores de histórias" visitam as casas-lares e hospitais para contar as histórias para as crianças. Estas, por sua vez, são estimuladas a transformarem as histórias que ouviram em música, desenhos ou poesia. Posteriormente, o material produzido pelos pequenos é entregue aos idosos que viveram a história inicialmente. Mais informações

Curso: Básico de Formação para contadores de histórias
Instituição: Sistema Municipal de Bibliotecas
Tipo: Curso de formação
Duração: 60 horas
Este curso foi o primeiro que me fez enxergar realmente o papel do contador de histórias na sociedade. Cada aula era uma surpresa gostosa! Foram 60 horas de curso, mas que passaram voando, pois aprendi muito. O curso é bem completo, aborda desde os contadores de história ao longo do tempo até técnicas vocais e consciência corporal. Foi muito importante para me ajudar a quebrar a timidez. As professoras, no ano em que eu fiz (2008), eram estas três feras aí da imagem, mas, além delas, haviam vários palestrantes convidados. 
Ao longo dos anos, com a confirmação da qualidade do curso e a formação de vários contadores de histórias reconhecidamente muito bons no mercado, aliados à gratuidade, o curso tem ficado a cada ano mais concorrido. O critério de seleção é uma carta de intensão, que é decisiva. 
A boa notícia é que a partir deste ano o curso não acontece mais exclusivamente na Biblioteca Hans Christian Andersen. Com três novas bibliotecas (Belmonte, Narbal Fontes e Raimundo de Menezes) sediando o curso, a oferta de vagas aumentou muito. 
Vocês podem saber mais sobre este curso em uma outra postagem que eu fiz aqui. Ou em

Curso: Contador de Histórias
Instituição: SENAC
Tipo: Curso Livre
Duração: 15 horas

Curso: A arte de contar histórias
Instituição: PUC-SP
Tipo: Curso de extensão
Duração: 1 semestre

Curso: Contação de histórias
Instituição: Faculdade Paulista de Artes
Tipo: Curso de especialização lato sensu
Duração: 360 horas

Espero ter ajudado. Agora é só escolher e se divertir! Não esqueçam de comentar os resultados depois! 

domingo, 25 de janeiro de 2015

Inquietudes: As muitas São Paulos: loucura e magia numa terra de ninguém

A minha São Paulo só é minha cidade porque, antes, foi a cidade de meus pais. Ambos estrangeiros nesta terra de alucinados: um vindo do interior do estado, outro de Pernambuco. Sua cidade por escolha, minha cidade por nascimento. 
A São Paulo da minha infância é Pirituba. Pirituba era minha cidade inteira e era mais que uma cidade: era um país, onde não havia limites para minhas aventuras.
Criada num parque municipal, com uma extensa área verde, do qual meu pai era caseiro, eu era juíza, princesa e heroína de um país cujas pedras e árvores tinham meu nome. E não podia querer mais. Passava meus dias em intensas jornadas, enfrentando perigos - por vezes imaginários -, proferindo mandos e desmandos e chegando exausta em meu castelo por ter salvado o mundo mais de uma  vez no dia. 
Pirituba para mim era isso: um reino mágico. E São Paulo, uma Terra de perigos e encantos sem fim. Meu reino ruiu aos dez anos de idade, e só voltei para conferir os destroços oito anos depois. 
A São Paulo da minha juventude e amadurecimento é Interlagos, onde vivo. Mas é também Vila Mariana, Santa Cecília e Perdizes, onde estudei. E Pinheiros, Campo Belo e Santo Amaro, onde trabalhei. Mas a São Paulo mais emblemática, a que está marcada mais profundamente em minhas memórias ainda é Pirituba. 
No entanto, se eu tivesse que eleger um lugar-símbolo do que a cidade é hoje para mim, escolheria a Rua Barão de Itapetininga. 
18 anos, morando sozinha em São Paulo e buscando emprego. Nada mais natural que, com uma dezena de currículos embaixo do braço e esperança no coração, eu fosse parar nessa famosa rua. O que eu não esperava era o que se seguiu: perdida na calçada e tentando encontrar um número de edifício em meio a tantos arranha-céus, fui interpelada por um indivíduo que, apressado, me empurrou gritando estar atrasado. Não sei o que chamou minha atenção primeiro: o fato dele estar gritando seu atraso enquanto olhava para um relógio de pulso que não existia; a barba a la Bin Laden; a pasta executiva que segurava que, de tão velha, estava aberta nos cantos; ou o fato de estar de camisa social e blazer, mas nu da cintura para baixo. 
Foi naquele minuto entre o cômico e o trágico que eu soube onde estava me metendo: numa cidade que desperta sonhos e loucura. Que tem por emblema o alucinado e o executivo. Que te sufoca entre os múltiplos compromissos, incluindo os de lazer. Sim, aqui até o lazer é impositivo. 
São Paulo não aceita o mimimi, dizem alguns. Não há espaço para o chororô, dizem outros. E eu? Como faço eu? Com minha garganta em largo nó, meus olhos tal qual pimenta? Engolir, sorrir e correr, sempre. Aqui o que importa é o movimento. "Cidade para quem topa qualquer parada, não para quem para em qualquer topada." 
Às vezes, quando sou empurrada, fecho os olhos e espero ser salva por aquela menina cujas pedra e árvores tinham seu nome. 

C.M.
04/11/2013